terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DE PORTINARI E DRUMMOND PARA QUIXOTE

Sagração
(Carlos Drummond de Andrade)

Rocinante
pasta a erva do sossego. 
A Mancha inteira é calma.
A chama oculta arde
nesta fremente Espanha interior.

De geolhos e olhos visionários
me sagro cavaleiro
andante, amante
de amor cortês e minha dama,
cristal de perfeição entre perfeitas.

Daqui por diante
é girar, girovagar, a combater
o erro, o falso, o mal de mil semblantes
e recolher no peito em sangue
a palma esquiva e rara
que há de cingir-me a fronte
por mão de Amor-amante.

A fama, no capim
que Rocinante pasta,
se guarda para mim, em tudo a sinto,
sede que bebo, vento que me arrasta.


Cândido Portinari: Dom
Quixote Cavaleiro Andante.

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