sexta-feira, 21 de abril de 2017

com o corpo cansado
e a marmita vazia
contra o capital
e a mais-valia
a exploração
e a carestia
entre o pó
e a poesia
o operário
parou a maquinaria


terça-feira, 11 de abril de 2017

CAMPOS AMARELOS
Para Sérgio Ferreira Pinto Júnior

Cemitério de pobre tem poucas flores,
tem poucas cores,
tem túmulos parcos.

O sal da terra tempera a carne
dos corpos mortos
pregados no solo.

Cruz de pobre tem muita madeira,
muito tijolo,
muito cupim.

Cemitério de pobre tem tanto Silva,
tem tanta bala,
tem tanta dor.





sexta-feira, 7 de abril de 2017

AUTO-DE-FÉ


Domo renascentista,
catedral neogótica,
no centro da cidade.

As torres e os vitrais,
os ângulos e o sino,
comunicam a graça.

O conforto dos bancos
e a força das imagens
redimem pecadores.

A dureza do mármore
convida à penitência
e ao arrependimento.

Música brota do órgão,
pelos doze mil tubos
(todos italianos).

Melodia dos foles
ecoa na rosácea,
penetra os penitentes.

O dourado retábulo
espelha o criador,
sua grandeza e poder.

Mas na praça defronte
dorme o povo de Deus:
em camas de jornal.


quarta-feira, 29 de março de 2017

CRÍTICA: JULIET, NUA E CRUA, DE NICK HORNBY

Era sexta-feira, véspera de carnaval. Procurava um livro no sebo como quem procura um amor em baile de carnaval. Corria os olhos pelo silêncio das prateleiras, flertava com as lombadas, acariciava orelhas e capas. Até que, depois de Cervantes e Kundera, lá no N, encontrei Juliet, Nua e Crua, de Nick Hornby. Nunca tinha ouvido falar nem de Juliet nem de Hornby. Tão importante quanto encontrar um livro é ser encontrado por um livro.

A chuva caiu, que chuva. Só tive tempo de atravessar a rua e me abrigar no boteco. Três cervejas e sessenta páginas depois (uma cerveja para cada vinte páginas), estava grudado no livro, como casal de baile de carnaval.

Juliet, Nua e Crua é um triângulo desamoroso, meio torto, formado por um casal inglês (Duncan e Annie) e um rockeiro estadunidense (Tucker Crowe). Duncan e Annie são um casal normal, como milhões de outros, que se separam e buscam parceiros pela internet e outros meios. Crowe é um rockeiro que, sumido por décadas, continua sendo seguido por centenas de idiotas, como Duncan, que mantém um site sobre o ídolo. Um dia Duncan recebe uma demo inédita de Juliet (único disco de Crowe), o relançamento chama-se Juliet, Nua e Crua, sua única finalidade é levantar alguns trocados para a gravadora e o rockeiro. Annie ouve antes do marido, que fica indignado, e considera o ato dela uma falha moral grave. Superado o problema, Duncan escreve uma resenha para viralizar na net, Annie resolve escrever também. Ele diz que a demo é tão espetacular que supera o disco acabado. Ela escreve que a demo é uma bosta. O rockeiro, que estava sumido há décadas, reaparece e se comunica por e-mail com Annie, diz que finalmente alguém tinha escrito algo que prestava sobre seu trabalho. Daí para frente o romance começa a fazer o que só o romance pode fazer: integra diálogos presenciais, conversas por e-mail, relatos, notícias, críticas e, sobretudo, brinca.

No boteco, a vinte páginas por hora e por cerveja: eu lia e ria. Dobrava o canto das páginas, para grifar depois, porque estava despreparado, sem lápis nem lapiseira. Há uma qualidade que encontrei em poucos escritores: fazer rir: Cervantes, Machado, Drummond, Nelson Rodrigues, Kundera, Veríssimo e, mais recentemente, Nick Hornby. Não é pouco.

Kundera registra que há uma palavra tcheca sem tradução em outros idiomas: litost, que é um estado atormentador provocado pelo espetáculo da nossa própria miséria subitamente revelada. Hornby faz rir porque expõe nossa miséria – a miséria intelectual e moral das primeiras décadas do século XXI – aos poucos, sem solavancos. Exemplo:

“Os dois haviam se mudado para a mesma cidade inglesa à beira-mar na mesma época: Duncan, para terminar sua tese, e Annie, para lecionar. Haviam sido apresentados por amigos em comum que perceberam que, no mínimo, eles podiam conversar sobre livros ou música, ir ao cinema e ocasionalmente viajar a Londres para ver exposições e sessões de jazz. Goolness não era uma cidade sofisticada. Não havia cinema de arte, não havia comunidade gay, não havia nem uma filial da livraria Waterstone’s (a mais próxima ficava na estrada em Hull), e fora um alívio poderem recorrer um ao outro, começaram a tomar uns drinques juntos durante as tardes e a dormir um na casa do outro nos fins de semana, até que, finalmente, esses pernoites viraram algo indistinguível de coabitação. E eles haviam ficado assim para sempre, empacados num eterno mundo pós-universitário, em que sessões de jazz, livros e filmes eram mais importantes para eles do que outras pessoas da mesma idade.”

Atire todas as pedras no Hornby quem nunca viveu algo à lá Annie e Duncan, quem tem menos de 30 anos não vale, porque a casal do romance é quarentinha. Se litost é um estado atormentador provocado pela nossa miséria subitamente revelada, como um ataque de fúria sem nenhuma razão; Juliet, Nua e Crua é a nossa miséria exaustivamente reexposta, como o sexo pré-agendado para os sábados à noite, depois do programa de entrevistas. Contra e apesar das “centenas de especialistas e publicações”, que defendem o agendamento do inagendável, Horny lembra que trepar é “algo necessário e assustadoramente incontrolável”, ou, pelo menos, deveria ser.

Contra e apesar da crítica, que vê em Juliet um diálogo com a cultura pop, o livro de Hornby é, sobretudo, um diálogo com a história do romance, explora os calos da vida nas primeiras décadas do século XXI. Como escreveu Kundera, é imoral o romance que não explora algum aspecto inexplorado da existência, o livro de Hornby supera este obstáculo.

Em tempos de miséria exposta e reexposta, a dieta mais saudável é a que incorpora fartas porções pessimismo, ou seria de lucidez? Juliet é a vida como ela é, nos termos rodrigueanos, ou nua e crua, como no título do romance. Mas o importante é que, apesar de tudo e contra todos, é possível rir. O homem é um bicho que ri, escreveu Rabelais, nos primórdios do renascimento. Nas primeiras décadas do século XXI, contra tudo, contra todos e quase quinhentos anos depois de Rabelais: o homem ri.


Juliet, Nua e Crua, é como um amor de carnaval: excitante, engraçado, sedutor, ridículo, passageiro; um amor para reencontrar em outros carnavais: para gozar, rir e sumir. 


sexta-feira, 17 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

DE MACHADO DE ASSIS A SÉRGIO BIANCHI: A CAUSA SECRETA E O DRAMA DO RATO

Na frente o rótulo declarado, no verso a verdade inconfessável. Ou: a causa secreta. Gouveia levou uma facada e foi socorrido por Fortunato e Garcia, este era estudante de medicina e se apaixonou por Maria Luísa, esta era casada com Fortunato. Garcia passou a frequentar a casa de Fortunato porque amava Maria Luísa. Fortunato era enfermeiro, no rótulo; mas no verso, sentia prazer com a dor alheia, por isso socorreu Gouveia e por isso torturava animais. Fortunato não conheceu o cinema, mas ia ao teatro e redobrava a atenção para apreciar facadas e outras cenas violentas. Hoje, ele teria ereções assistindo telejornais. Garcia era estudante de medicina, no rótulo; mas no verso, era curioso, possuía a faculdade de decompor caracteres e de decifrar os homens, tinha amor pela análise, gostava de penetrar nas camadas morais dos outros, por isso começou a observar Fortunato, que lhe intrigava.

Machado de Assis também possuía a faculdade de decifrar os homens, gostava de penetrar nas camadas morais dos outros, mostrava o verso do rótulo, sentia prazer ao revelar a miséria moral alheia. Por isso escreveu Dom Casmurro, A Causa Secreta... Por isso criou Brás Cubas, Quincas Borba, Simão Bacamarte, Fortunato, Garcia. Foi um escritor genial. Sérgio Bianchi gosta de esfregar o verso do rótulo na cara das pessoas, na cara do Brasil. Por isso costuma meter o dedo e a mão nas feridas do nosso tempo (Fortunato gozaria com essa imagem). Porque gosta de esfregar o verso do rótulo na cara dos outros, Bianchi estabeleceu um diálogo entre seu cinema e a literatura de Machado de Assis. Seu filme Quanto Vale ou é por Quilo dialoga com o conto Pai contra Mãe, A Causa Secreta dialoga com o conto homônimo de Machado de Assis.

Atenção, luz amarela: dizer que um filme dialoga com a literatura não é dizer que ele baseia-se ou é uma adaptação de uma obra literária. Bianchi, que parece ser um sujeito com alguma ousadia, não se limitou a adaptar literatura para o cinema, deu um passo à frente, fez uma experiência de linguagem, dialogou com Machado. Exemplo: enquanto Machado mostra um homem (Fortunato) que tem prazer com a dor alheia, Bianchi retrata homens indiferentes à dor alheia. Nestes tempos pantanosos, qualquer espertinho pode ganhar uma bolada, via edital público, para “simplificar” um texto machadiano. Por outro lado, dialogar com a obra do “bruxo do Cosme Velho”, como fez Bianchi, exige mais do que a fome por vinténs, tão comum aos agregados de Machado e aos simplificadores do nosso tempo. Ironia da história: a simplificadora que “reescreveu” O Alienista, do Machado, com certeza seria internada pelo alienista Simão Bacamarte, do Machado, resta saber se por avareza, indigência intelectual ou as duas coisas.

Outra ironia da história: também Bianchi depende da bufunfa dos editais públicos para tocar seu trabalho. No filme A Causa Secreta um diretor de teatro tenta adaptar o conto A Causa Secreta, mas, para isso, depende da bufunfa dos editais públicos e passa por não poucos apertos para consegui-la. Aqui o filme se afasta do conto machadiano para se aproximar da realidade atual. A ironia mais afiada é sempre aquela que corta o bucho do seu criador, Bianchi vira personagem de si próprio, cineasta na vida real, diretor de teatro no filme. No final da película, depois de todas as críticas aos mecanismos de financiamento, aparecem os créditos do filme: um banco público (depois seria privatizado) e outras instituições.

Voltando ao filme. O diretor de teatro gosta de observar e penetrar nas camadas morais do outros, como Garcia. Por isso e para esfregar o verso do rótulo na cara dos outros, o diretor de teatro faz os atores meterem os pés na realidade pantanosa do país, por exemplo: visitando clínicas e hospitais públicos sucateados. Nessa hora, se vê a mediocridade por baixo do rótulo ator. A mediocridade une o mauricinho de direita ao esquerdista de boteco, que atuam na mesma peça e, por inércia, constroem o país da Casa Grande e da Senzala. Talvez esta seja a fonte da impotência que choca nos filmes de Bianchi, não é o país nem o mundo que são cronicamente inviáveis, é o individuo isolado e amesquinhado que é cronicamente impotente para transformar as coisas. Não é que o país e o mundo sejam cronicamente viáveis, com certeza são mais inviáveis do que viáveis, mas se fossem necessariamente e com certeza inviáveis, Bianchi estaria ganhando dinheiro produzindo versões simplificadas dos livros de Machado de Assis, e não dialogando com o “bruxo do Cosme Velho”, estaria enlatando produtos mais rentáveis e de fácil de digestão, e não rodando filmes indigestos e com pouco apelo comercial. Com seu trabalho, Bianchi mostra, querendo ou não, que acredita no cinema e na arte, e acreditar é o primeiro passo no caminho para criar e transformar. Assim sendo, nem tudo está perdido, nem tudo é cronicamente inviável, mas essa é outra questão.

Dizem os conhecedores da sétima arte que A Causa Secreta deixa a desejar na qualidade técnica: planos mal iluminados e mal enfocados. Mas esse não é foco deste texto, pretendo explorar A Causa Secreta como experiência de linguagem, como diálogo do cinema com a literatura. Uma cena se repete no conto de Machado e no filme de Bianchi: com a mão direita Fortunato segura uma tesoura, com a esquerda um barbante na ponta do qual está amarrado um rato, ele corta uma pata do animal e em seguida o faz descer na direção da chama de uma espiriteira, o rato grita de dor e desespero, Fortunato repete a operação outras três vezes, arrancando as patas do animal e descendo-o na direção da chama com cuidado para não matá-lo, por fim ele corta o focinho do rato e desce o bicho em direção à chama, o animal morre e vira um pedaço de carne cheio de sangue e pelos chamuscados. No conto, Garcia, que gostava de observar as camadas morais escondidas e de decifrar os outros, vê a cena e conclui que Fortunato tem prazer com a dor alheia. O filme não explora essa reflexão de Garcia, talvez porque o cinema não é capaz de penetrar nas camadas morais dos personagens como a literatura, ou, melhor dizendo: o cinema tem mais dificuldade para reproduzir com palavras o pensamento de um personagem, teria que apelar para um narrador, o que nem sempre é funcional. Por outro lado, o cinema com seu poder de imagem e de som, ao mostrar um rato sendo torturado, cria uma cena que é mais forte na tela do que no papel. Parafraseando João Cabral: o rato do filme é mais espesso do que o rato do conto. Neste ponto a experiência de linguagem de Bianchi é interessante, mostra que o cinema é capaz de dialogar de igual para igual com a literatura. Não é pouco.

Surge outra questão. E o rato? É aceitável torturar e matar um animal, ainda que seja um rato, em nome da arte? Conscientemente ou não, Bianchi deixou uma ratoeira no caminho do expectador, que se incomoda mais com o rato do que com os pacientes abandonados nas clínicas e hospitais sucateados, mais com o rato do que com as crianças de rua que aparecem no filme. Um rato é mais espesso do que um homem?


Bianchi é conhecido por seu cinema provocador: A Causa Secreta, Cronicamente Inviável, Quanto Vale ou é por Quilo. Nestes três filmes ele denuncia a acomodação ao sofrimento alheio típica do indivíduo amesquinhado pelo modo capitalista de produção, no mundo do capital a mesquinharia se transformou em colete salva-vidas. É por isso que o cinema de Bianchi choca, ele é um espelho que revela baixezas debaixo das camadas morais dos expectadores. Só por isso já valeria a pena, o diálogo com Machado é ainda mais interessante. Mas… Essas duas coisas justificam a tortura do rato?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

EM POLÊMICA COM NOEL, UM PALPITE FELIZ DE CAETANO

Essa é da época do vinil, literalmente. Houve um tempo, creio que mais ou menos no meio dos anos 1990, em que os cds começaram a substituir os discos de vinil (bolachões), que, por sua vez, passaram a ocupar os sebos.

Com alguns poucos trocados era possível comprar bons bolachões. Digo era porque as relações de produção e distribuição fonográficas entraram em contradição com as forças produtivas, veio a revolução da Internet, nunca mais comprei discos.

Muito bem. Mas o que isso tem a ver com Noel e Caetano? Resposta: o bolachão Totalmente Demais, de 1986. Ao vivo, Caetano canta Vaca Profana, O Quereres entre outras. Depois, Pra que Mentir? (de Noel Rosa e Vadico) e na seqüência Dom de Iludir. Tocadas em seguida, salta aos ouvidos que uma responde a pergunta da outra.

Pra que Mentir? tinha endereço certo: Ceci, a grande paixão de Noel. Caetano, por outro lado, dá voz a Ceci, encara a pergunta e responde por que mentir.  Noel indaga: “Pra que mentir se tu ainda não tens a malícia de toda a mulher”. Caetano responde: “Não me venha falar na malícia de toda mulher. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Noel pergunta: “Pra que mentir se tu ainda não tens esse dom de saber iludir?” Caetano lhe joga na cara: “Você diz a verdade, a verdade é seu dom de iludir. Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?”

A pergunta é espinhosa para qualquer um: “Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?” Verdade é um substantivo feminino, mas nas sociedades machistas, seu conteúdo é sempre masculino. A verdade masculinizada repele e exclui as mulheres.  

Noel condena Ceci: “Pra quê? Pra que mentir, se não há necessidade de me trair?” Ora, se ao homem cabe inclusive determinar à mulher quando há necessidade de trair, como elas viverão sem mentir? Inclusive porque o não inocente verbo trair é sempre conjugado de forma unilateral, será que para Ceci alguma traição estava em questão? De Ana Karenina a Ceci, nenhuma mulher passará sem mentir, ou melhor, sem o dom de iludir, pelo menos em sociedades em que o homem é senhor do dom de se impor.
           
Como ensina Carlos Drummond: “Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado.” Exatamente como faz Noel: “Pra que mentir tanto assim se tu sabes que eu sei que tu não gostas de mim? Se tu sabes que eu te quero apesar de ser traído.” A questão é: que homem suportaria uma resposta sincera? Imaginemos que, “olhos nos olhos”, Ceci respondesse a Noel: “Tantas águas rolaram, quantos homens me amaram bem mais e melhor que você”. Seria demais. Totalmente demais.

Então há uma dose de machismo e amor possessivo em Noel? Sim. Pra que mentir? Não há necessidade de se iludir. Noel, apesar de sua genialidade, é filho legítimo da sociedade machista, em que o amor vem em conserva, com prazo de validade e contrato de aceitação.

Mas amar é libertar a pessoa amada. É se realizar na realização do ser amado, incondicionalmente. Caminhamos por um beco sem saída. Não há meio termo possível, é preciso levar a realização do ser amado às últimas conseqüências, inclusive quando este se “deite e deleite seja com quem for.” Neste sentido o amor está bem próximo da amizade. O amor, quando sincero, não impõe condições, não exige nada em troca. O amor, se verdadeiro, é autotélico. Amor que não tem fim em si mesmo não passa de individualismo meia boca e doentio, mais ou menos como mostra Drummond: “Um se beija no outro, refletido. Dois amantes que são? Dois inimigos.”

No mesmo bolachão, Totalmente Demais, na canção Nosso Estranho Amor, Caetano dispara: “Não quero sugar todo seu leite nem quero você enfeite do meu ser. Apenas te peço que respeite o meu louco querer. Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for. Apenas te peço que aceite o meu estranho amor.” O amor, se verdadeiro, carrega a propriedade radical de se impor inclusive ao seu portador, não quer ninguém como enfeite de seu ser, nem lhe importa com quem o ser amado se deite e deleite.

Da polêmica de Noel com Wilson Batista ficaram pérolas como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz. Cinqüenta anos depois, Noel estava morto e não pôde responder à interlocução de Caetano, é interessante imaginar como seria a tréplica do Poeta da Vila, se é que seria, afinal, pra que mentir?