quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

amar é um elo




                     entre o azul




                                      e o amarelo



(Paulo Leminski)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

        
            vazio agudo




ando meio




         cheio de tudo


(Paulo Leminski)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Terry Eagleton - Ideologia

Nas sociedades capitalistas avançadas, os meios de comunicação freqüentemente são considerados um possante veículo através do qual a ideologia dominante é disseminada; mas essa suposição não deve permanecer irrefutada. É verdade que boa parte da classe trabalhadora britânica lê os jornais do partido conservador, da ala direita; mas pesquisas indicam que um grande número desses leitores é indiferente ou ativamente hostil à política desses periódicos. Muitas pessoas passam a maior parte de suas horas de lazer vendo televisão; mas se ver televisão de fato beneficia a classe governante, não é porque ela contribui para transmitir a ideologia dessa classe a um bando de gente dócil. O fato politicamente importante acerca da televisão é, provavelmente, o ato de assistir a ela, mais do que o seu conteúdo ideológico. Passar longos períodos na frente da televisão firma os indivíduos em papéis passivos, isolados, privatizados, além de consumir uma boa quantidade de tempo que poderia ser dedicada a propósitos políticos produtivos. É mais uma forma de controle social que um aparato ideológico.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mário de Andrade – Prefácio interessantíssimo de Paulicéia Desvairada



Tarsila do Amaral: Abaporu (1928)
 Belo da arte: arbitrário, convencional, transitório – questão de moda. Belo da natureza: imutável, objetivo, natural – tem a eternidade que a natureza tiver. Arte não consegue reproduzir natureza, nem este é seu fim. Todos os grandes artistas, ora conscientes (Rafael das Madonas, Rodin de Balzac, Beethoven da Pastoral Machado de Assis do Braz Cubas) ora inconscientes (a grande maioria) foram deformadores da natureza. Donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico, tanto mais subjetivo quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram o que quiserem. Pouco me importa.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

György Lukács - Do texto O romance como epopéia burguesa

A unidade do sublime e do cômico na imagem de Dom Quixote – uma unidade que jamais voltou a ser alcançada – é determinada precisamente pelo fato de que Cervantes, ao criar este personagem, luta de modo genial contra as características principais de duas épocas, uma das quais está substituindo a outra: ou seja, ao mesmo tempo, contra o heroísmo da cavalaria medieval, cada vez mais destituído de sentido, e contra a baixeza prosaica da sociedade burguesa, que se manifestava claramente desde seus inícios.