segunda-feira, 24 de março de 2014

A metamorfose: insegurança, doença e morte de um trabalhador

            Franz Kafka nasceu em 03 de julho de 1883, na cidade de Praga, no então Império Austro-húngaro, viveu sob a influência das culturas tcheca, judaica e alemã. Formou-se em direito e atuou na área de seguros. Paralelamente, escreveu contos, novelas e romances, todos em alemão. Kafka faleceu em 03 de junho 1924, num sanatório da cidade de Kierling, na Áustria. Deixou cartas a seu amigo Max Brod para o qual solicitou que queimasse seus textos não terminados, Brod descumpriu o pedido e publicou cartas e romances de Kafka, entre estes O Processo (1925) e O Castelo (1926), que são consideradas obras chave do século XX. A novela A Metamorfose foi escrita no final de 1912 e publicada em vida por Kafka, não estava, portanto, entre os textos destinados ao fogo.
Kafka é considerado um dos principais escritores do século passado, ao lado de James Joyce e Marcel Proust. Filósofos, escritores, psicanalistas, sociólogos entre outros têm se dedicado a interpretar a obra kafkeana. Milan Kundera (1986) afirma que, com Dostoievsky, o assassino não suporta o peso de sua culpa, e o crime procura o castigo, com Kafka, inverte-se a lógica, o réu desconhece a acusação, e o absurdo de um castigo sem explicação é tão insuportável que, para encontrar alguma paz, o castigo procura um crime, mesmo sendo inocente. Kundera (1993) registra que Kafka se inscreve na história da literatura ao lado de romancistas da Europa Central, como Musil, Broch e Gombrowicz, é neste contexto que deve ser lido e interpretado. Albert Camus (1989, p.154): “o mundo de Kafka, na verdade, é um universo inexprimível em que o homem se dá ao luxo suplicante de pescar em uma banheira sabendo que nada sairá dali.” Ernesto Sabato (1981, p.107): “as novelas de Kafka não descrevem greves de ferroviários em Praga e, no entanto permanecerão como um dos testemunhos mais profundos do homem contemporâneo.” Walter Benjamin (1993, p. 138): “O mundo das chancelarias e dos arquivos, das salas mofadas, escuras, decadentes, é o mundo de Kafka.”
Parte-se, neste ensaio, da ideia de que, ao homem moderno, fracionado por centenas de especializações científicas, o romance resta como observatório privilegiado que permite enxergar a vida humana como um todo (SABATO, 1981). Entretanto, é preciso avançar com cuidado pelas calçadas escorregadias da literatura, este observatório tão privilegiado quanto fugidio, que rechaça a tirania dos olhares únicos. Neste sentido, aqui se esboça uma leitura de Kafka, sem pretensão nenhuma de excluir as demais, até porque a grande literatura diz muito mais do que o que se diz sobre ela.
O romance é conteúdo delimitado pela forma, um casamento indissociável desta com aquele, a forma é fundamental para a objetivação do conteúdo, ou: “a beleza do romance é inseparável de sua arquitetura” (KUNDERA, 2005, p. 143).  Kafka escreveu parágrafos longos com pontuação escassa, algumas vírgulas e poucos pontos, a linguagem seca e antilírica reforça o conteúdo, a sensação de cansaço e desesperança salta do texto para o leitor. Os personagens quase não têm passado, às vezes simplesmente despertam no pesadelo: Gregor Samsa (A metamorfose) acorda metamorfoseado num inseto imenso, Joseph K. (O processo) desperta e é preso sem saber por quê. Às vezes os personagens não são chamados pelo nome: o oficial (Na colônia penal), os ajudantes e K. (O castelo). Mas há um eixo tão fundamental quanto despercebido que perpassa todas as obras citadas: o trabalho. Gregor Samsa é caixeiro viajante, Joseph K. é bancário, K. é agrimensor, o oficial é militar e assim sucessivamente.    
Na obra de Kafka aparecem os dilemas do mundo do trabalho: insegurança, medo, estranhamento. Como Sisífo, os trabalhadores de Kafka são forçados a rolar pedras montanha acima eternamente, sem saber por que e para quê, cientes apenas de que a satisfação das suas necessidades físicas e biológicas depende deste exercício inútil. O estranhamento salta do texto para o leitor, as reações às situações mais absurdas são normais, desta desproporção nasce a força da obra kafkeana: não ocorre ao agrimensor K. fugir do castelo que o oprime, todo seu esforço se concentra em fazer valer uma proposta de emprego enviada por engano; Joseph K. tenta se defender de todas as formas, apesar de sequer descobrir do que é acusado, termina executado “como um cão”, mas jamais contesta a legitimidade do processo e do tribunal; Gregor Samsa desperta metamorfoseado num imenso inseto, tenta se levantar mas não consegue porque suas numerosas pernas, lastimavelmente finas para seu corpo, não permitem, ele não se espanta com a situação, apenas tenta se apressar para chegar a tempo no trabalho. Há, portanto, um duplo estranhamento na literatura de Kafka: as reações normais dos homens num mundo que lhes é estranho causa estranheza em quem lê. Marx (2001 e 2007) afirma que o homem começa estranhando o produto do próprio trabalho e a atividade produtiva para, na seqüência, estranhar a si próprio, os outros homens e o mundo. Neste sentido que se pode aproximar Marx de Kafka, não para dizer que a teoria do primeiro explica o segundo, o que seria ingenuidade, mas sim para mostrar que Kafka, com sua literatura aparentemente absurda, metaforiza as mazelas do mundo do trabalho: estranhamento, insegurança, medo etc. Até suicídios no trabalho aparecem nos contos de Kafka: o oficial (Na colônia penal) recusa a aposentadoria da sua máquina de tortura e execução de presos, quando percebe que a substituição é inevitável, se lança na máquina e paga com a própria vida; o jejuador (Um artista da fome) permanece dias preso numa jaula de circo sem se alimentar, mas, à medida que o interesse público por sua arte diminui, ele responde radicalizando seu jejum, termina morto e substituído por uma pantera.
Várias chaves de interpretação foram utilizadas para tentar decifrar Kafka: religiosidade, burocracia, culpa. Todas ajudam e nenhuma resolve. Neste ensaio utiliza-se a questão do mundo do trabalho, como os conflitos e contradições das relações de trabalho aparecem na literatura kafkeana? Os contos, novelas e romances de Kafka falam de ajudantes, oficiais, secretários, juízes, inspetores, artistas, soldados, agrimensores, bancários, comerciantes e assim sucessivamente. Por quê? Os personagens às vezes não têm nome nem história pessoal, mas têm profissão. Há um acontecimento na vida de Franz Kafka que é pouco relacionado à sua produção literária, a partir de 1908 o escritor começou a trabalhar na Companhia de Seguros de Acidentes de Trabalho do Reino da Boêmia. Santos (2010) mostra que o trabalho de Kafka na Companhia de Seguros não se restringia a questões jurídicas, o escritor atuava no “departamento técnico”, visitava indústrias têxteis, de vidros, de construção de máquinas, pedreiras e serrarias. Kafka classificava o “nível de periculosidade” das indústrias e “se ocupava diariamente com as consequências de graves acidentes de trabalho” (SANTOS, 2010, p.313), ele acompanhou tanto as batalhas jurídicas travadas contra empresas quanto as consequências de acidentes sobre trabalhadores: “Membros mutilados por serras ou bobinas de corda, escalpamentos por rodas de transmissão, queimaduras, envenenamentos e cauterizações” (SANTOS, 2010, p. 313). Portanto, Kafka conhecia as técnicas produtivas, as relações de trabalho e as questões de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) de seu tempo. Em 1909, Kafka enviou uma carta a Max Brod dizendo:

Pois o que eu tenho que fazer! Nos meus quatro distritos [...] como bêbadas as pessoas despencam dos andaimes para dentro das máquinas, todas as vigas tombam, todas as rampas se soltam, todas as escadas escorregam, o que se alcança para cima, desaba para baixo, o que se alcança para baixo, causa a própria queda. E se tem dores de cabeça das jovens nas fábricas de porcelana, que incessantemente se lançam sobre as escadas carregando torres de louça (KAFKA apud SANTOS, 2010, p. 309).

            Santos (2010) relaciona o trabalho de Kafka na Companhia de Seguros ao seu conhecimento sobre tecnologias e experiências profissionais. Além disso, é possível buscar na obra kafkeana questões de SST. Neste ensaio será focalizada a novela A metamorfose, porém, análise semelhante pode ser realizada em outras novelas, contos e romances.
            Depois de sonhos intranqüilos, Gregor Samsa desperta metamorfoseado num inseto monstruoso, suas numerosas pernas, lastimavelmente finas, tremulavam ao alcance de seus olhos (Kafka, 2002). Não há nenhuma indicação sobre a causa da metamorfose, mas logo ficamos sabendo que Samsa é um caixeiro viajante e, apesar de ter virado um inseto monstruoso, ainda conserva o poder da fala, o que causa estranhamento no leitor, é o próprio Samsa que diz:

Que profissão cansativa eu escolhi. Entra dia, sai dia – viajando. A excitação comercial é muito maior que na própria sede da firma e, além disso, me é imposta essa canseira de viajar, a preocupação com a troca de trens, as refeições irregulares e ruins, um convívio humano que muda sempre, jamais perdura, nunca se torna caloroso. O diabo carregue tudo isso (KAFKA, 2002, p. 7).

Após refletir sobre as dificuldades da sua condição de caixeiro viajante, o inseto monstruoso, Gregor Samsa, reclama dos problemas relacionados ao sono numa profissão em que se é obrigado a viajar constantemente.  Na seqüência ficamos sabendo, pela boca do inseto, que Samsa tem um chefe extremamente exigente e capaz de demiti-lo pelo menor deslize. A insegurança no trabalho aparece pela primeira vez na novela, na seqüência ficamos sabendo que a família Samsa (pais e irmã) é sustentada por Gregor, que, por essa razão, teme perder o emprego. Além disso, ficamos sabendo que o pai de Gregor tem uma dívida pecuniária com o chefe de seu filho, o que também pressiona Gregor a continuar trabalhando: “Se não me contivesse por causa dos meus pais, teria pedido demissão há muito tempo; teria me postado diante do chefe e dito o que penso do fundo do coração.” (KAFKA, 2002, p.8).
            Como não consegue se levantar, Gregor pensa em faltar ao trabalho alegando que estaria doente, mas ele desiste da ideia porque nunca havia ficado doente em cinco anos de serviço. Além disso, “o chefe viria com o médico do seguro de saúde, censuraria os pais por causa do filho preguiçoso e cercearia todas as objeções apoiado no médico, para quem só existem pessoas inteiramente sadias, mas refratárias ao trabalho.” (KAFKA, 2002, p. 9). Também o médico do trabalho é um profissional sem nome e sem história, mas que toma partido da empresa contra os trabalhadores.
            Ainda sem conseguir sair do quarto, Samsa percebe alterações em sua voz, mas acredita tratar-se do prenúncio “de um severo resfriado, moléstia profissional do caixeiro viajante,” (KAFKA, 2002, p. 11).
            Passam-se algumas páginas, mas ainda estamos naquela fatídica manhã, Gregor ouve batidas na porta do apartamento, do quarto Samsa ouve a primeira palavra e identifica o visitante, é o gerente. Neste ponto é próprio narrador, Kafka, que pergunta:

Por que Gregor estava condenado a servir numa firma em que à mínima omissão se levantava logo a máxima suspeita? Será que todos os funcionários eram sem exceção vagabundos? Não havia, pois, entre eles nenhum homem leal e dedicado que, embora deixando de aproveitar algumas horas da manhã em prol da firma, tenha ficado louco de remorso e literalmente impossibilitado de abandonar a cama? (KAFKA, 2002, p. 15).

            A mãe de Gregor recebe o gerente dizendo que seu filho não está bem e que ainda não saiu do quarto, segundo ela, Samsa não tem outra coisa a não ser a firma na cabeça. O gerente responde à mãe do inseto monstruoso: “Esperemos que não seja nada grave. Embora por outro lado eu tenha de dizer que nós, homens do comércio, feliz ou infelizmente – como se quiser – precisamos muitas vezes, por considerações de ordem comercial, simplesmente superar um ligeiro mal-estar.” (KAFKA, 2002, p. 17). Há aqui uma clara referência à SST, não é possível saber exatamente que tipo de mal-estar é causado aos homens do comércio, mas sabe-se que eles existem. Teria sido um mal-estar relacionado ao trabalho no comércio o causador da metamorfose?
            Transformado num inseto monstruoso, Gregor não consegue se levantar e abrir a porta, mas continua sendo capaz de ouvir e falar. O estranhamento, em Kafka, brota de contrastes como este. Do lado de fora do quarto, o gerente eleva o tom de voz e se dirige a Gregor: “O senhor se entrincheira no seu quarto, responde somente sim ou não, causa preocupações sérias e desnecessárias aos seus pais e descura – para mencionar isso apenas de passagem – seus deveres funcionais” (KAFKA, 2002, p. 18). Cresce o estranhamento: o leitor vê de um lado um homem transformado num inseto tentando se levantar e ir para o trabalho; do outro lado da porta, o gerente desconhece a metamorfose e só se preocupa com a falta do funcionário. Diante da situação absurda, as ações e reações são normais, o absurdo está naturalizado, os homens respondem ao absurdo com atitudes banais. O gerente diz a Gregor: “O chefe em verdade me insinuou esta manhã uma possível explicação para as suas omissões – ela dizia respeito aos pagamentos à vista que recentemente lhe foram confiados” (KAFKA, 2002, p. 18). Aqui aparece outro tema comum na SST: a culpabilização da vítima. O gerente insinua que Samsa poderia ter roubado uma quantia que lhe havia sido confiada, ou seja, a suspeição é empunhada contra Gregor, que nunca havia sequer faltado ao trabalho. A suspeição do gerente mostra que os laços de amizade e companheirismo entre os trabalhadores já estavam esgarçados, o que aumenta a pressão do trabalho.
            Gregor responde ao gerente pedindo que seus pais sejam poupados, afinal, não haveria motivos para as censuras, além disso, ele se refere a seu mal-estar: “Por que não comuniquei à firma? Mas sempre se pensa que se vai superar a doença sem ficar em casa.” (Kafka, 2002,  p.19). Outro tema relacionado à SST, mais precisamente à Psicodinâmica do trabalho, está claro que Samsa resistiu ao adoecimento, qual estratégia defensiva ele teria utilizado? Gregor suplica ao gerente para lhe preservar: “senhor gerente, o senhor está vendo que não sou teimoso e que gosto de trabalhar, viajar é fatigante, mas não poderia viver sem viajar.” (KAFKA, 2002, p.25). Na sequência Samsa fala de seu medo maior: “Tenho por outro lado de cuidar dos meus pais e da minha irmã. Estou num aperto, mas sairei dele trabalhando. Não me torne, porém as coisas mais difíceis do que já são.” (KAFKA, 2002, p.25). Estranhamento total: Samsa está mais preocupado com seu emprego do que com sua condição de inseto monstruoso. Fica sugerido o quanto à insegurança sobre os trabalhadores pode ser prejudicial: “O gerente precisava ser retido, tranqüilizado, persuadido e finalmente conquistado; dependia disso o futuro de Gregor e de sua família!” (KAFKA, 2002, p. 27).
            A Metamorfose divide-se em três capítulos. As palavras gerente e chefe aparecem, respectivamente, 44 e 14 vezes na novela. Registre-se que, no caso, o chefe é o superior do gerente, é este que visita o apartamento de Gregor. Chefe e gerente aparecem principalmente no primeiro capítulo, respectivamente 43 e 11 vezes. A partir do segundo capítulo, foca-se principalmente a relação entre a família e o inseto monstruoso, que continua ouvindo e entendo, mas que vai aos poucos perdendo a fala. Gregor passa a se refugiar debaixo do sofá, com vergonha de sua condição e dos transtornos que causa, impossível não reconhecer em Samsa a agonia dos trabalhadores acidentados e envergonhados que não conseguem mais sair de suas casas. Pai, mãe e irmã amam Gregor, que os ama também, mas os cuidados vão se tornando cada vez mais difíceis, não há nenhum apoio externa à família, nem do Estado nem da empresa.  A família é forçada a alugar partes do apartamento para complementar a renda. O estranhamento às vezes desemboca no riso: num quarto o inseto monstruoso, no outro locatários que desconhecem a situação. Pai, mãe e irmã são obrigados a trabalhar para poder pagar suas despesas. Além disso, é preciso cuidar de Gregor. A família Samsa fica cada vez mais extenuada, até que o inseto monstruoso morre, libertando todos do fardo insuportavelmente pesado.
            É possível fazer leituras semelhantes de outros textos de Kafka, todos carregados de referências à SST e às relações de trabalho. A literatura não vai resolver os problemas do mundo nem dos trabalhadores, nem é essa a sua função, mas as ambiguidades, metáforas e intuições literárias são fundamentais para penetrar na alma das coisas (KUNDERA, 2005). Kafka tem sido lido e interpretado a partir de diversos pontos de vista: psicanalítico (conflitos com o pai), absurdo da condição humana, religiosidade. Mas pouco se disse sobre a relação, na obra e na vida, de Kafka com a SST, isso mostra o quanto o campo da segurança e saúde dos trabalhadores é pouco valorizado e conhecido. É preciso que se diga: temas relacionados à SST aparecem em Franz Kafka, que é um dos maiores escritores de todos os tempos. Curiosa ironia do destino: Kafka reclamava que seu trabalho na Companhia de Seguros roubava-lhe o tempo necessário para escrever, mas foi exatamente esse trabalho que lhe proporcionou os temas e motivos chave de sua obra. A metamorfose mais terrível de que se tem notícia, a transformação de Gregor Samsa num inseto monstruoso, tem relação com o trabalho, e isso depõe diretamente e sem apelação contra todo um modo de produção.      


Referências


BENJAMIN, W. Franz Kafka. A propósito do décimo aniversário de sua morte. In. BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993.

CAMUS, A. O mito de Sisífo. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1989.

KAFKA, F. A metamorfose. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

KUNDERA, M. A arte do romance. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

KUNDERA, M. A cortina. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

KUNDERA, M. Os testamentos traídos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

SABATO, E. Abadon, o exterminador. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1981.

SANTOS, T. B. dos. Tecnologia e Franz Kafka: experiências profissionais e sua relevância na ficção. Rev. Let., São Paulo, v.50, n.2, p.307-325, jul./dez.2010. Disponível em : <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&ved=0CGwQFjAE&url=http%3A%2F%2Fseer.fclar.unesp.br%2Fletras%2Farticle%2Fdownload%2F4700%2F3992&ei=KYG1UrrsBuahsQTm8oGYAw&usg=AFQjCNGRYSfo21IxS7fReOiyfmpoUjh0vQ&sig2=EnC92x56238MoLxjhJlNzQ> Acesso em: 16 dez. 2013.