sábado, 19 de novembro de 2016

AQUELAS HORAS NO ARAÇÁ

Acontece quando os passarinhos estão escondidos,
antes de apontar o dia,
nos momentos em que as nuvens realçam a lua.

Os mortos saltam dos monumentos funerários
(também chamados jazigos)
Escolhem-se as esquadras
e rola a bola.
É o recreio dos finados,
a hora mais feliz.

Os dias se reduzem à espera
e à escolha dos esquemas
e posicionamentos.

As escolas se apresentam.
A retranca italiana é briosa
e joga no bote.
A ginga brasileira dribla as sepulturas,
dança e encanta.
Os platinos são elegantes,
avançam tabelando a bola nas árvores.

Prevalece a alegria
e poucos problemas,
salvo alguma vidraça quebrada.

Mas um moço chora,
e acompanha tudo com movimentos de pescoço.
É o menino Jesus,
crucificado sobre um sepulcro,
cristo não pode jogar.