para Mário Quintana

eles passaram
você passarinho
eles choraram
você chorinho




86 ANOS DE MILAN KUNDERA

Nos últimos anos do século XX comecei a freqüentar sebos. Lembro-me de ter folheado livros de Milan Kundera, mas não cheguei a levar nenhum. Faltou, talvez, uma indicação. Anos depois, já na metade da primeira década do século XXI, assisti o filme A insustentável leveza do ser, dirigido por Philip Kaufman e baseado no romance de Kundera. Num mesmo final de semana assisti Perfume de mulher (o original italiano, e não o pastelão estadunidense) e A insustentável leveza do ser, ambos sensacionais. Mas meu encontro com a literatura de Kundera só aconteceria anos depois, mais precisamente em 2009, quando um amigo me emprestou e recomendou a leitura do romance A insustentável leveza do ser. Foi a indicação que faltava.

A insustentável leveza do ser começa falando do eterno retorno, de Nietzsche. A vida é leve porque é sem retorno. Por mais sublime, por mais torpe que seja, a vida está condenada a desaparecer, é leve como uma pluma. Este tema é recorrente na obra de Kundera.

Com o tempo fui saltando de um livro para outro, descortinava-se para mim um escritor e ensaísta sem igual: capaz de provocar o riso como Machado de Assis, intrigante e provocador como Camus. Quanto sabor nas polêmicas de Kundera, por exemplo:

1º) Com Stravinski e contra Adorno: “O que me irrita em Adorno é o método que vincula com facilidade as obras de arte com causas, consequências ou significações políticas (sociológicas), as reflexões extremamente matizadas (os conhecimentos musicais de Adorno são admiráveis) conduzem a conclusões extremamente pobres [...]” (Os testamentos traídos)

2º) Contra Orwell e seu 1984: “A influência nefasta do romance de Orwell está na redução implacável da realidade ao seu aspecto puramente político e na redução deste aos seus aspectos negativos. Não perdôo esta redução com o pretexto de que era útil como propaganda na luta contra o mal totalitário. Porque este mal é precisamente a redução da vida à política e da política à propaganda. Assim, o romance de Orwell, apesar das intenções, forma ele mesmo parte do espírito totalitário, do espírito de propaganda. Reduz (e ensina a reduzir) a vida de uma sociedade odiada à enumeração simples dos seus crimes.” (Os testamentos traídos)

3º) Em defesa da música de Janácek. Em defesa da literatura de Tolstói, Cervantes, Rabelais, Sterne, Kafka, Gombrowicz, Robert Musil, Hermann Broch e outros.

4º) Sobre a literatura: “descobrir o que só o romance pode descobrir é a única razão de ser de um romance. O romance que não descobre uma parte até então desconhecida da existência é imoral. O conhecimento é a única moral do romance.” (A arte do romance)

5º) Em defesa da Primavera de Praga de 1968: “Ah, os queridos anos 1960. Eu gostava de dizer, então, cinicamente: o regime político ideal é uma ditadura em decomposição; o aparelho opressivo funciona de maneira cada vez mais defeituosa, mas está sempre ali para estimular o espírito crítico e zombeteiro. No verão de 1967, irritados com o congresso corajoso da União dos Escritores e achando que o atrevimento tinha ido longe demais, os chefes de Estado tentaram endurecer sua política. Mas o espírito crítico já havia contaminado até o comitê central que, em janeiro de 1968, decidiu que o presidente seria um desconhecido: Alexander Dubcek. A primavera de Praga começou: hilário, o país recusou o estilo de vida imposto pela Rússia; as fronteiras do Estado foram abertas e todas as organizações sociais (sindicatos, federações, associações), originariamente destinadas a transmitir ao povo a vontade do partido, tornaram-se independentes e se transformaram em instrumentos inesperados de uma democracia inesperada. Nasceu um sistema (sem nenhum projeto preestabelecido, quase por acaso) que foi verdadeiramente sem precedentes: uma economia 100% nacionalizada, uma agricultura nas mãos das cooperativas, nada de pessoas muito ricas, nada de pessoas muito pobres, o ensino e a medicina gratuitos, mas também: o fim do poder da polícia secreta, o fim das perseguições políticas, a liberdade de escrever sem censura e, a partir daí, o desabrochar da literatura, da arte, do pensamento, das revistas. Eu ignoro quais eram as perspectivas de futuro desse sistema; na situação geopolítica de então, certamente nulas; mas numa outra situação geopolítica? Quem pode saber... Em todo caso, esse segundo durante o qual esse sistema existiu, esse segundo foi soberbo.” (Um encontro)

Kundera divide a história do romance em três tempos. No primeiro a literatura oral em extinção abre caminho para a literatura escrita, o romance começa a substituir as histórias contadas verbalmente. Até o final do século XVIII (Cervantes, Rabelais, Laurence Sterne) os narradores se dirigiam diretamente aos leitores, herança das histórias orais. No segundo tempo “a palavra do autor se apaga atrás da escrita” (Um encontro), prevalece o critério da verossimilhança, é a época do realismo de Balzac e outros. O terceiro tempo começa com o modernismo e rompe com a verossimilhança. Parênteses. Mas Kundera não conhece Machado de Assis? Como enquadrar o Bruxo do Cosme Velho? Cronologicamente no segundo tempo, mas herdeiro do primeiro e grávido de elementos do terceiro: como o discurso que fala diretamente com o leitor, a ironia e o humor. Voltando. Kundera evita comentar sua própria obra, talvez para evitar simplificações ou por modéstia, mas ele está no terceiro tempo, com certeza. Como Ernesto Sabato em Abadon, o exterminador, o próprio Kundera virá personagem em A imortalidade. Também Goethe e Hemingway são transformados em personagens. Ruptura total com o realismo e a verossimilhança.

Da literatura à música passando pela filosofia e pela pintura, Kundera dialoga com os maiores de igual para igual, chegou, inclusive, a adaptar Jacques, o fatalista, de Diderot. Dizem que o ponto fraco de Kundera é a sua poesia de juventude, talvez seja mesmo, mas não dá para saber porque seus versos não estão disponíveis em português. O jovem e ingênuo poeta Jaromil, de A vida está em outro lugar, talvez tenha sido o jovem Kundera, que confessa: “Também dancei em roda. Isso foi em 1948, os comunistas acabavam de triunfar em meu país” (O livro do riso e do esquecimento). Depois Kundera passa a rechaçar o regime estabelecido e os arroubos de lirismo, sabe que “as nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina.” (A insustentável leveza do ser)

Neste 01.04.2015, Kundera completa 86 anos, seu romance A festa da insignificância foi publicado no Brasil no ano passado. Espero que venham outros, mas não sei se o homem de 86 anos terá forças para escrever. Não sei se pode haver um “feliz aniversário” para um homem de 86 anos. Eis a insustentável leveza do ser, por mais genial e por mais talentoso que seja, o homem está condenado a desaparecer. A vida vai passando e provocando riso e esquecimento.

JC





Crianças brincando na nascente do Córrego da Água Preta. Pompéia, São Paulo, Brasil. No meio da crise de abastecimento de água, no meio da selva de prédios. 29.03.2015.












O MORALISTA

Aconteceu no começo do século XXI, depois do desenvolvimento da telefonia móvel e da música da dupla Kleiton e Kledir.

Rodrigues era casado. Tinha esposa, filhos e amantes. A Carol entre estas. Ele costumava repetir para os amigos: “Minha mulher serve para esfregar minhas cuecas, minhas amantes servem para tirar minhas cuecas”.  Rodrigues se dizia bacharel em artes amorosas. Os sujeitos que acreditam nas bobagens que dizem costumam ser engraçados, o Rodrigues entre estes. Quando contava suas aventuras eróticas, ele respirava fundo, batia no peito e soltava sua frase preferida: “Eu sô bom nisso!”. Os amigos brincavam dizendo não saber se o Rodrigues era melhor como amante ou como contador de histórias. Fato é que, para ele, não havia nada mais belo do que contar vantagem. Certa vez, numa roda de amigos, alguém perguntou se o Rodrigues frequentava bordéis, ao que ele respondeu de pronto: “Nunca! Eu nunca pagaria pra transar com uma mulher, elas que deveriam pagar pra transar comigo!”. Quando os amigos conseguiram parar de rir, Rodrigues emendou sua frase preferida: “Eu sô bom nisso!”.

Carol estava namorando e, por isso, havia rompido com o Rodrigues. Mas não há barreira que não possa ser superada pela ousadia de um amante somada às possibilidades da telefonia móvel. Ela respondeu a mensagem dele, que pensou: “Eu sô bom nisso! Agora vai!”. Dias depois, se reencontraram.

Algumas palavras jogadas fora e decidiram ir para um lugar mais tranquilo para conversar melhor. Mais palavras jogadas fora e a Carol levantou e debruçou na janela. O Rodrigues – que raciocinava por meio de metáforas futebolísticas – pensou: “A bola do jogo. É agora!”. E abraçou a parceira por trás. Sem soltá-la e sem saber bem o que fazer ou dizer, improvisou, cantou baixinho um trecho do Kleiton e do Kledir: “Esse quarto é bem pequeno / pra te suportar / tanto amor / tanto veneno / pra pouco lugar”.

Ela se surpreendeu com a novidade:

- Que é isso? O que cê tá fazendo? Tá maluco?

Mas, lá no fundo, Carol aprovou a novidade, também ela gostava do Kleiton e do Kledir. Percebendo a conjuntura favorável, Rodrigues emendou:

- Tô maluco por você. Malucão. Eu sei o que tô fazendo! Confia em mim! Deixa comigo! Vai ser como nos velhos tempos. Baby, confia em mim! – Empolgado, Rodrigues quase soltou sua frase preferida: “Eu sô bom nisso!”. O que, com certeza, teria posto tudo a perder. Mas o pior não aconteceu.

Ele avançava e, ao mesmo tempo, começava a comemorar a vitória sobre os amigos, que não acreditavam na possibilidade dele reatar com a Carol. Rodrigues via a cara de espanto dos amigos quando soubessem dos versos do Kleiton e do Kledir. Não é difícil imaginar as frases que ele utilizaria para narrar aquela aventura: “Gol de placa. Jogada de craque. Eu sô bom nisso!”. 

Existem as leis do amor, a gramática das coisas do coração espera por ser redigida, mas existe. A debruçada na janela da Carol prova a existência das leis do flerte. E prova que o Rodrigues conhecia a legalidade do amor. Claro que o emprego da canção do Kleiton e do Kledir ajudou, mas não era só isso. Ele gostava de dizer que “no amor, assim como no futebol, o improviso ajuda, mas não resolve sozinho, é preciso dominar todos os fundamentos do jogo”. Se fosse um pouco mais teórico, Rodrigues poderia escrever a gramática das coisas do coração, mas ele era um homem de ação, preferia a prática e a narração das práticas.

Machista, canalha, reacionário, estúpido... Digam o que quiserem do Rodrigues, mas, uma coisa é certa, ele dominava os tempos de bola do amor. Essa metáfora é dele, mas tem a ver, era assim que ele explicava suas conquistas para os amigos. Com certeza, Rodrigues diria que aquele abraço aconteceu no momento exato, que um segundo antes ou depois seria fatal.

Os amantes se conheciam, tinham sido parceiros. Aquele debruçar na janela era a senha, a luz verde, o siga em frente, o venha agora ou nunca mais. Como um toque de truco, aquele gesto sinalizava e autorizava a próxima jogada do parceiro.

Empiria ou não, é inegável que o Rodrigues identificou corretamente a simbologia do debruçar na janela, antes daquele gesto, qualquer passo seria um salto no abismo. A Carol mantinha uma superioridade total até aquele debruçar, até aquele “venha”. Na corrida do amor, queimar a largada é fatal. Depois daquele “siga em frente” ela se integrava às batalhas do amor, se perdia a ponto de confundir o toque do celular com as batidas do coração do Rodrigues. Os amantes vibravam e emitiam sons na cama, o telefone da Carol também, até que... Pof!

- Meu telefone caiu. Calma home, calma! Quem tá me ligando? Meu namorado! Caramba!

- Desliga isso, Carol.

- Alô. Oi coração. Como cê tá? Tudo bem? Já jantou? Tem que se alimentá bem, hein.... Hein... Beijo! Beijo! A gente se fala então! A gente se fala depois! Te ligo! Beijo!

- Rô, vem Rô! Vem, seu safado! Cachorro!

Rodrigues estranhou, mas não se intimidou com a situação. Avançou. Mordeu o pé da parceira. Essa técnica, no jargão dele, era uma jogada ensaiada, que ele repetia porque funcionava. “Em time que tá ganhando não se mexe” – dizia.

- Carol, você não anda, levita. Que pezinho! Posso fazer cosquinha?

Drim. Drim. Drim.

- Carol, que que é isso? Meu estômago tá roncando?

- Não, não. É o meu celular tocando debaixo de você. Afasta aí pra eu ver quem é. Outra vez. Espera. Rô, espera.

- Oi meu amor. Jantou? O quê? Hum... Que delícia. Ops. Vou entrar no Metrô. Não tô te ouvindo. Oi? Não tô te ouvindo. Oi? Oi? Vai cair. Beijo. Vai cair. Beijo. Até. Também te amo.

- Vem, Rô. Vem.

Carol passou os dedos entre os cabelos do Rodrigues, segurou firme e puxou com força. Ele quase gritou de dor. Esses detalhes das aventuras não costumavam ser contados para os amigos.

Drim. Drim. Drim.

- Outra vez! Deixa eu tomar um ar. Rô, afasta um pouco. Espera. Espera.

Ela controlou a respiração e atendeu:

- Oi coração! Também te amo. A ligação tá ruim. Te amo. Beijo. Até.

- Vem Rô. Rô, cadê você?

Estava na janela. Olhou para o horizonte, acendeu um cigarro e começou a matutar. Há quem diga que começar a pensar é começar a broxar. Como pensar não era o forte do Rodrigues, ele não considerou esse risco.

Drim. Drim. Drim.

Mais conversa dos namorados. Da janela Rodrigues ouvia e pensava. Como ela podia fazer aquilo? Ficar jogando conversa fora sem passar a bola para ele. Que fominha! Por que não desligou o telefone? Que canalhice. Os maus pensamentos do Rodrigues sobrevoavam como aves de rapina. Teria ela atendido alguma ligação dele na cama com outro homem? Pior ainda, teria alguma ligação dele tocado debaixo de algum amante dela? Teve náusea só de pensar na pele suada e na pulsação de outro homem. Que mania! Levar o telefone para a cama, onde já se viu isso? E que cara chato esse namorado dela, tinha que levar chifre mesmo, não dá um tempo, marcação sob pressão no campo adversário o jogo todo, parece time alemão, assim não tem jogo, a bola não rola. Retranqueiro. Covarde. Nem joga nem deixa os outros jogarem. O ciúme crescia junto com a raiva. Rodrigues teve uma ideia terrível, seria ele reserva do namorado da Carol? Logo ele: que sempre dizia “sô bom nisso”, que conhecia os tempos de bola do amor, que armava jogadas tão bem quanto finalizava. Reserva de um perneta? Teve vontade de falar essas verdades. Carol trocava frases batidas com o namorado: “também te amo”, “tô com saudade”... No jargão do Rodrigues, aquilo era fazer cera. Carol conversava com um e sorria para o outro. Rodrigues se irritava. No jargão dele, aquilo era catimba. Ele tentava se controlar, sabia que o pior erro de um amante experiente é cair na catimba do adversário. Mas não teve jeito. A raiva só aumentava. Reserva de um perna de pau... Onde já se viu isso?

- Então tá, amor. Minha bateria tá acabando. Desliga você primeiro. Te amo, viu. Te amo. – Disse Carol para o namorado ao mesmo tempo em que piscava para o Rodrigues.

O namorado não desligou, mas ela sim. Depois encarou Rodrigues com olhar provocador e disse:

- Rorô, vem. Te quero! Quero você! É hoje!

Rodrigues se animou, subiu do inferno para o céu. Olhou para a parceira e pensou: “Eu sô bom nisso!”. Mas, no caminho da janela para a cama, ouviu o toque do celular.

Drim. Drim. Drim.

- De novo! – Reclamou a Carol.

O pior tombo é o que o sujeito leva quando está se reerguendo. Rodrigues despencou do céu para o inferno. Como ela podia fazer aquilo com ele? Que canalhice. Sem vergonha. Logo a Carolzinha... Logo a sua pequena preferida... A que ele mais gostava. Cada “eu te amo” dito para o outro era uma cusparada na cara do Rodrigues. A ideia de ser o reserva imediato do namorado da Carol voltou a atormentar. Como ele contaria aquela aventura?

Parênteses para uma metáfora à la Rodrigues: o último chamado da Carol, aquele “Te quero! Quero você!” foi a bola do jogo, ele empurraria a pelota para a rede se não tivesse sido anotado impedimento, ou seja, se o telefone dela não tivesse tocado outra vez.

Tomado de fúria, Rodrigues contraiu os músculos do rosto e avançou com raiva nos olhos. Tomou o telefone da mão da amante e ouviu a voz que vinha do outro lado da linha:

- Amor. More. Môr, cadê você? Tá tudo bem?.

Considerando-se injustiçado, autopromovido ao topo do edifício da superioridade moral, Rodrigues fuzilava sua parceira com o olhar. Encheu o peito para falar, queria colocar os is nos pingos. Mas não conseguiu dizer nada. Bufou como burro cansado e respirou fundo. Tinha que falar, precisava retomar a rédea das coisas, mas foi novamente driblado pelas palavras, que lhe escapavam. Os pensamentos mordiam os miolos do Rodrigues: “Como a Carolzinha faz isso comigo? Logo a minha pequena preferida?”.

Desesperado, jogou o telefone na cama, bateu a porta e partiu: com os olhos marejados, soluçando. 
Legado da Copa:

- 9 trabalhadores mortos na construção dos estádios.

- Bilhões de reais desviados em obras superfaturadas.

- Milhares de famílias despejadas.

- A imagem bisonha de um Brasil branco nas arquibancadas, a imagem bisonha do Brasil coxinha, do Brasil da Casa Grande, do Brasil racista.

- Endurecimento brutal da repressão contra os movimentos sociais, revogação do direito de manifestação, avanço do fascismo.

- A maior e mais ridícula derrota do futebol brasileiro em todos os tempos: resultado direto da retrancalização promovida pelos técnicos brasileiros; resultado direto da mediocridade que tem prevalecido no país e no futebol do país; resultado direto da especulação imobiliária, que coloca edifícios no lugar dos campos de várzea, impedindo o nascimento de novos craques.

Conclusão:


- Ou reconstruímos tudo pela raiz, de baixo para cima, como nunca antes na história desse país; ou vamos morrer afogados no esgoto, na merda.