quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RECEITA DE POEMA

Doure palavras cruas,
na gordura fervente,
com cebola, alho, tomate.

Tempere a inconsciência,
esta pasta informe,
compactada e branca.

Adicione uma porção de cores:
um peito rubro de tiê-sangue,
pele crestada de mulher no cio,
mais o pálido azul do sanhaço.

E eflúvios odoríficos:
a brisa de café caseiro
o olor úmido de sexo de moça,
o perfume primaveril.

Imagens também contam.
O mosaico de pipas no céu.
A alvura mineral da neve.

Combine o timbre ritmado de cachoeira
ao borbulhar de moqueca baiana
e ao gorjeio de ave silvestre.

Junte tudo num tacho de barro,
com água corrente de fonte,
e entorne com vigor de estivador.


Cerveja, arroz, feijão e peixe serra
ao molho de camarão.



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