quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Grão (de Petrus Cariry)


O Grão é uma película binária. Comunicação e silêncio. Amor e indiferença. Movimento e inércia. Morte e vida.

        Cabras e bodes, um cão, marido e mulher, uma avó e seus dois netos numa casinha no sertão do Ceará.


        No começo percorre-se uma estrada qualquer, ao lado da vegetação rasteira. A sensação é que se quer decolar.


        As vidas são tão secas quanto as dos personagens de Graciliano Ramos. Os diálogos são mínimos. E há até um cão, que não se chama Baleia, mas é bem simpático.


       Vive-se de cabras e bodes. R$ 0,50 por cabeça. Não há retirantes, mas vida e morte são igualmente severinas.
           
       O detalhe marcante de O Grão é a atualização do sertão nordestino para o século XXI. O silêncio dos personagens é rompido pelo palavreado agustiante e vazio da televisão. A pureza se tinje de mediocridade.


       A relação que mais resiste ao embrutecimento é a do neto com a avó, mas a saúde desta é frágil. Vida e morte se procuram.


       O filme segue com trancos e barrancos, suas imagens são grãos de poesia.


O grão. Brasil 2007. 88 min. Drama. Diretor:Petrus Cariry. Atores: Leuda Bandeira, Verônica Cavalcanti, Nanego Lira, Kelvya Maia.

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