terça-feira, 11 de abril de 2017

CAMPOS AMARELOS
Para Sérgio Ferreira Pinto Júnior

Cemitério de pobre tem poucas flores,
tem poucas cores,
tem túmulos parcos.

O sal da terra tempera a carne
dos corpos mortos
pregados no solo.

Cruz de pobre tem muita madeira,
muito tijolo,
muito cupim.

Cemitério de pobre tem tanto Silva,
tem tanta bala,
tem tanta dor.





2 comentários:

  1. Meu pai deve estar num cemitério desses, o homem que ja matou um homem provavelmente hoje esta na mesma situação daquele que morreu por suas mãos. Eu não sei se consigo entrar em um cemitério e ver alguma beleza, para mim só a beleza na vida, a morte ainda é algo estranho, é como ver o fim, é muita dor, ver as fotos sejam em cor em preto e branco e pensar nas vidas. Nesse caso especifico penso em minha vó, pobre vozinha, tão jovem e ja foi para debaixo da terra, ou como dizem em minha terra "deixou o corpo para a Terra comer"...hoje não se identificaos tumulos naquele cemiterio onde seus ossos estão , não há fotos, nem flores...apenas as cruzes espalhadas pelo chão e uma grama que cobre o local. O corpo de Sérgio ferreira a terra tb comeu...assim como a bala que lhe tirou a vida...

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  2. Pois é. Quando uma bala certeira na testa de alguém, seja quem for, é comemorada com palmas, é um sinal de que carecemos de poesia.

    Forte abraço

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