terça-feira, 27 de junho de 2017

CEILÂNDIA

A garota de programa se aproxima 
quando o sol começa a se despedir
e há nuvens alaranjadas no céu.
Põe música na máquina
e toma uma dose,
que a noite ainda precisa baixar.
Janta peixe frito
(algumas moscam a incomodam)
Crianças brincam na calçada,
um gato atravessa a rua.
Os engraxates conversam
e bebem cerveja.
Os últimos raios de sol ainda iluminam.
Mas a garota de programa está tensa,
o apetite sexual é crescente no país,
é preciso saciá-lo.


2 comentários:

  1. Nossa, esse é um dos poemas mais fortes que ja, dá até uma certa nostalgia. gostei da imagem do céu, da lu, do sol a essa bela imagem é o oposto da garota...sei lá, essa garota nem deve estar se ligando nisso...é uma mistura de imagens dificil de imaginar...bom poema caro jC...vc foi mesmo a ceilândia ou soube por outra pessoa e sua imaginação criou asas?? rsrs

    O anônimo de sempre

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  2. Olá minha/meu amiga/amigo. Estive por lá há uns anos. Essa eu vi ao vivo rsrs. Como não achei o setor dos botecos em Brasília (só tinha setor de hotelaria, escolas...), peguei o Metrô e fugi do tal Plano Piloto, desci em Ceilândia. Encontrei uns botecos bem simpáticos. Havia o por do sol, a caixa de música, os engraxates... E começaram aparecer as garotas de programa. Mas o final do poema é inferência minha. Como naqueles lados de Brasília os políticos da vez e os servidores públicos em geral sempre falam em nome do bem estar e do progresso da nação, imaginei que a garota de programa pudesse adaptar o mesmo discurso ao seu trabalho.

    Forte abraço

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