sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ricardo

Morre o rato, o gato, o pato.
Morre o velho, o moço, o homem.
Todos morrem.
E o rapaz morreu,
pelas próprias mãos,
talvez “como um cão”,
como Josefh K.



Para o poeta:
matar-se é a coragem para a burrice.
Para o economista:
o custo de viver é maior que o benefício.
Mas a mãe não pensou nada,
nem o pai.



Foi num crepúsculo de domingo,
o moço extinguia-se com a última claridade,
junto com a noite que descia.



Apenas o irmão avança
(os pais param na porta: paralisados).



Miram-se os gêmeos,
Um no terno de culto,
outro na corda de enforcamento.
Não há desespero,
os olhares que se procuram estão tranqüilos.
Um tiro seco inviabilizaria aqueles olhares
e aquele silêncio.
Fim.



JC

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