sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sem título

Quebra de rotina. Inspeção veicular. Saída do trabalho, mínima libertação, no meio da sexta-feira. Frio com sol, dia luzente, inverno no planalto paulista. Um rosto familiar na fila de espera, mas não o identifico. Aniversário da ex-mulher. Desatam-se os pensamentos. “Vida: conjunto de possibilidades não realizadas: amor desencontrado, sexo que não fiz.” Mas o letreiro do motel me lembra do sexo que fiz ali, há onze anos. Sexta-feira tem aroma de sexo. Legião Urbana no rádio do carro, canção depressiva. Refeição em casa com vinho cabernet sauvignon, pequena dose alcoólica em horário comercial, subversão insignificante, das que o capital tolera. Apartamento por limpar, piso branco malhado pela sujeira, marcas de sapato, vidros engordurados, interruptores manchados. Faxina adiada para o próximo semestre, pouco importa. Louça da semana, pouco importa. Descanso na sacada. Último gole. Último suspiro de liberdade. Retorno para a repartição. Crachá no peito. Sorriso implantado no rosto. Tédio vespertino. Homem etiquetado. Me calo. E escrevo.  

JC

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