domingo, 10 de novembro de 2013

POR DO SOL DE OURO PRETO

Quantas dores
do Aleijadinho?
Quantos mortos
no Morro da Forca?
Quantos pecados
em cada freguesia?
Quantos fantasmas
sob o calçamento?

O sino bate
na carne dos homens.
O passado escorrega
pelas ladeiras.
Sombras e árvores
de pedra e fogo.
Igrejas e casas
de ferro e sangue.

Dezoito horas:
as cores se empurram
no céu meio azul,
meio rosa, meio laranja.
O dia derrete
atrás dos morros,
como os sonhos
de ouro.

Dezoito e trinta:
os morros de Minas devoram a vida
e a noite devora os morros de Minas.



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