terça-feira, 12 de julho de 2011

Rosa Luxemburgo - A revolução russa

O negativo, a demolição, pode-se decretá-los; a construção, o positivo, não. Terra virgem. Mil problemas. Somente a experiência é capaz de corrigir e de abrir novas estradas. Somente uma vida fermentante, sem impedimentos, imagina mil novas formas, improvisa, emana uma força criadora, corrige espontaneamente todos os erros. Por isso, justamente, a vida pública dos estados com liberdade limitada é tão deficiente, tão pobre, tão esquemática, tão estéril, porque excluindo a democracia renuncia-se à fonte viva de toda riqueza espiritual e progresso (Prova: os anos 1905 e os meses fevereiro-outubro de 1917). Assim é não apenas politicamente, mas também econômica e socialmente. Toda a massa do povo deve participar da vida pública. De outra forma, o socialismo acontece por decreto, autorizado pelo bureau de uma dúzia de intelectuais. É incondicionalmente necessário um controle público. De outra forma, a troca de experiências fica estagnada no círculo fechado dos funcionários [...]. A práxis socialista exige uma completa transformação espiritual das massas degradadas por séculos de dominação de classe burguesa. Instintos sociais no lugar dos egoístas, iniciativa das massas no lugar do desleixo, idealismo que eleva acima de todo sofrimento, etc. Ninguém o sabe melhor, descreve-o com mais eficácia, repete-o mais obstinadamente do que Lênin. Mas ele se engana completamente sobre os meios. Decretos, poder ditatorial dos inspetores de fábrica, penas draconianas, reino do terror, são todos paliativos. O único caminho para o renascimento é a escola da própria vida pública, da mais ilimitada e ampla democracia, opinião pública. É justamente o que o reino do terror desmoraliza.

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