sábado, 5 de março de 2011

Pulsação



Edvard Munch: O Grito (1893)
No peito a pontada.
No ser o estampido.
No coração a vala.
No passado o fosso.
No nervo a agulha.
No querer o bloqueio.
No futuro a torção.
No jardim o asfalto.
No sonho a queda.

Na mão o corte.
Na boca a secura.
Na infância o trauma.
Na manhã a aflição.
Na carne o espinho.

Depois do tédio a náusea.
Depois do sono o aperto.
Depois do tranco a ânsia.
Depois do depois o mesmo.


JC

Um comentário:

  1. Não há nada no presente, nada no passado e o futuro nada traz de novo. Bela poesia mas sendo no presente que ja virou futuro e que agora já é presente, nada dura para sempre, nem tristeza, nem alegria, nem dor...

    Parabens pelo poema!!

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